_Milo De Luca _EXCRESCENT UTOPIA
Sunday, April 28, 2013
Sunday, March 03, 2013
Sunday, January 27, 2013
Liberdade para Sartre
“Liberdade, no entender
de Sartre: estamos "condenados à liberdade"; não há limite para nossa
liberdade, exceto o de que "não somos livres para deixarmos de sermos
livres." Porque não há nenhum Deus e portanto não há qualquer plano divino
que determine o que deve acontecer, não há nenhum determinismo. O homem é
livre. Nada o força a fazer o que faz. "Nós estamos sozinhos, sem
desculpas." O homem não pode desculpar sua ação dizendo que está forçado
por circunstâncias ou movido pela paixão ou determinado de alguma maneira a
fazer o que faz.” (Cobra)
"Falamos na nossa própria língua
e escrevemos numa língua estrangeira.” [Jean-Paul Sartre ]
"O dinheiro não tem ideias."
[ Jean-Paul Sartre ]
"És livre, escolhe, ou seja:
inventa." [ Jean-Paul Sartre ]
"Um amor, uma carreira, uma
revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão." [
Jean-Paul Sartre ]
"O homem tem de poder escolher a vida
em todas as circunstâncias." [Jean-Paul Sartre ]
"O homem tem de se inventar todos
os dias." [Jean-Paul Sartre]
"Cada homem deve inventar o seu
caminho." [ Jean-Paul Sartre ]
"Todos os homens têm medo. Quem
não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem." [Jean-Paul
Sartre]
"A imaginação é como um braço
extra, com o qual você pode agarrar coisas que de outra forma não estariam ao
seu alcance." [Jean-Paul Sartre]
Referência
COBRA, Rubem. Jean-Paul Sartre. Vida, época, filosofia e obras de
Jean Paul Sartre – II. In http://www.cobra.pages.nom.br/fcp-sartre-II.html
Imaginação para Sartre
“A elucidação do significado da
imaginação se faz através do questionamento de como se produz imagem. Sartre,
após uma rigorosa crítica à visão clássica1 da concepção de imagem, entende que
essa produção deve ser iniciada numa mudança básica de concepção: a imagem não é
uma coisa, não é exterioridade, muito pelo contrário, ela é consciência, é ato
intencional da consciência.” (Francimar Duarte Arruda).
Um trabalho sobre a imagem deve se
constituir como uma eidética da imagem, isto é, fixar e descrever a essência dessa
estrutura psicológica tal como aparece à intuição reflexiva (Sartre, 1978, p.99).
“(...) A própria concepção de
intencionalidade está destinada a renovar a noção de imagem, isto porque sendo
ato da consciência ela vai pertencer ao conjunto de elementos reais da síntese
consciência, que ele chama noese, e o seu correlativo que é o sentido
que habita essa consciência que é o noema. Mas esse sentido noemático que
pertence a cada consciência real, não é em si mesmo nada de real. O que existe
é a possibilidade de se dirigir o olhar para um objeto, mas o que encontra o
olhar nessa última direção, é na verdade um objeto no sentido lógico, mas um
objeto que não poderia existir por si. Assim o noema é um nada que só tem uma existência
ideal para a consciência, é um irreal. Para Sartre, então, tudo se explica pela
intencionalidade, isto é, pelo ato noético.” (Arruda)
“Portanto, não há diferença de
natureza qualitativa entre o objeto da percepção e o objeto da imaginação como
tal, mas sim ambos são noemas de uma consciência noética plena. A imagem então
é um certo tipo de consciência. A imagem é consciência de alguma coisa.”
“Resta fazer a descrição
fenomenológica da estrutura dessa imagem, isto é, como ela se dá. Ou seja, o
método fenomenológico visa, através dessa descrição do imaginário, a
compreender o imaginário nele mesmo. O intuito de Sartre é determinar o que é a
imagem como imagem, a imagem nela mesma. Temos que distinguir o que é o objeto
que aparece, no exemplo do texto de Sartre — Pedro que eu imagino — daquilo que
seria a imagem nela mesma; que não se confunde com o Pedro que eu estou imaginando.
Qual o seu conteúdo, qual a sua essência: que será alcançada pela descrição da
imagem”. (Arruda) (...)
“ (...) Não é no mundo do imaginário
que se dá a liberdade. Ela se dá na dinâmica da ação e pressupõe o deslocamento
do objeto irreal para o plano da ação possível. A imaginação é o poder, é o meio
pelo qual a ação se efetuará. O futuro da ação é o reino da liberdade
para Sartre, quer dizer, é no reino do poder-vir-a-ser que a liberdade
se coloca como ação possível, e não no reino do imaginário que é não-ser; este
não-ser é que o torna condição de possibilidade de vir-a-ser. Existe, então,
toda uma questão dinâmica embutida na dimensão do imaginário que o pensamento contemporâneo
deve recuperar, para que possamos entender e articular melhor o período de
crise pela qual nós estamos passando e, sobretudo, termos condições de nos
instrumentalizar em face ao problema específico da educação.” (Arruda)
Jean Paul Sartre era um
existencialista e o cerne do existencialismo é a liberdade, assim, cada
indivíduo é definido por aquilo que ele faz. Embora, Sartre baseie-se em
pensamento alemão Husserl, sua “ética” é francesa (1789) ele valoriza o compromisso.
Deste modo, importa o interesse pela
política: Segundo Sartre, “somos responsáveis por nós mesmos e por aquilo que
nos cerca, notadamente, a sociedade: aquilo que nos é nossa obra. Como o
pensamento filosófico (abstrato e generalizante) não apreende a existência individual,
na qual a angústia tem um papel preponderante”.
Inspirado pela fenomenologia de
Husserl, “para Sartre a imaginação, faculdade criativa do pensamento pela qual este
produz representações (imagens) esta representações mentais que retrata um
objeto externo percebido pelos sentidos, de objetos inexistentes, não tendo,
portanto, função cognitiva”.
“Sartre considera o imaginário ou o
“ato de imaginar” como a capacidade que tem a consciência de notificar o real,
de desligar-se da plenitude do dado ...” (Silva).
Referências
ARRUDA, Francimar Duarte Questão do
Imaginário: a contribuição de Sartre UFF
SILVA, Delzy
Imaginação: Uma Maneira Reflexiva da Natureza Humana. TCC da Faculdade do Médio Parnaíba –
FAMEP, Caxias – MA.
Consciência imaginativa
In. Chauí, Convite à filosofia
A imaginação é a capacidade da consciência para fazer surgir
os objetos imaginários ou objetos-em-imagem.
Pela imaginação, relacionamo-nos com o ausente e com o
inexistente. A percepção observa as coisas, as pessoas, as situações. Observar
é jamais ter uma coisa, pessoa ou situação de uma só vez e por inteiro. A
percepção observa porque alcança as coisas, as pessoas, as situações por perfis,
perspectivas, faces diferentes que vão sendo articuladas umas às outras, num
processo sem fim, podendo sempre enriquecer nosso conhecimento, perceber
aspectos novos, ir “completando” o percebido com novos dados ou aspectos. Com a
imaginação, ao contrário, cada imagem põe o objeto por inteiro.
Uma imagem, diz Sartre, é inobservável.
A imagem é diferente do percebido porque ela é um análogo
do ausente, sua presentificação. Em outras palavras, percebemos e
imaginamos ao mesmo tempo, embora perceber e imaginar sejam diferentes In Chauí,
Convite à filosofia.
Saturday, January 26, 2013
A imaginação à cavalo e o bom senso...
![]() |
| A imaginação/ loucura vai a cavalo e a prudência/ bom senso vai de mula |
"A
liberdade, querido Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens
deram os céus. Com ela não se podem igualar os tesouros que a terra nem o
mar encobrem; pela liberdade se pode e deve aventurar a vida".
Miguel de Cervantes
Miguel de Cervantes
Imaginação 1 processo criativo
O mito expressa o mundo e a realidade
humana, mas cuja essência é efetivamente uma representação
coletiva, que chegou até nós através de várias gerações. [narrativa]. E, na medida em que pretende explicar o
mundo e o homem, isto é, a complexidade do real, o mito não pode ser lógico: ao
revés, é ilógico e irracional.
(...) Decifrar o
mito é, pois, decifrar-se. E, como afirma Roland Barthes, o mito não pode, consequentemente,
"ser
um objeto, um conceito ou
uma ideia: ele é
um modo de significação, uma forma".Assim, não se há de definir o mito "pelo
objeto de sua mensagem, mas pelo modo como a profere".
A constituição de um mito é um processo da imaginação tráz carcaterísticas de uma imagem. Guardada alguma distância sobre a relação com um passado imemorial que o mito está condicionado, como na poesia pode-se dizer que para o mito como imagem singular
(e também coletiva): a sua comunicabilidade "é um fato de grande significação ontológica" como diz Gaston de Bachelard, referindo-se à poesia.
O processo criativo requer um conjunto de faculdades e capacidades como memória e imaginação. Mas o que são e como "funcionam" a
memória, a
imaginação, a sensação, a percepção?
Quais as outras perguntas que se fazem
sobre essas faculdades? Faculdade: poder de efetuar uma ação física ou mental; capacidade.
Positiva ou negativamente, a imaginação
está referida ao inexistente.
A imaginação aparece como algo que possui graus, isto é, pode haver falta ou excesso. A imaginação surge, assim, como algo impreciso, situada entre dois tipos de invenção – criação inteligente e inovadora, de um lado; exagero, invencionice, mentira, de outro.
A imaginação aparece como algo que possui graus, isto é, pode haver falta ou excesso. A imaginação surge, assim, como algo impreciso, situada entre dois tipos de invenção – criação inteligente e inovadora, de um lado; exagero, invencionice, mentira, de outro.
O poeta Manoel de Barros tira partido
disso:
“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação
transvê. É preciso
transver o
mundo.”
“tudo o que não invento é
falso”
UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO, VII
No descomeço era o verbo.Só depois é que veio o delírio do verbo.O delírio do verbo estava no começo, lá.onde a criança diz: Eu escuto a cordos passarinhos.(...) se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.E pois.Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos.O verbo tem que pegar delírio. “O inventor aumenta o mundo.”
A imaginação na tradição filosófica
A tradição filosófica sempre deu
prioridade à imaginação reprodutora, considerada como
um resíduo do objeto percebido que permanece retido em
nossa consciência.
A imagem seria um rastro ou um vestígio deixado pela percepção.
Os empiristas, por exemplo, falam das
imagens como reflexos mentais das percepções ou
das impressões, cujos traços foram gravados no cérebro. Desse
ponto de
vista, a imagem e a lembrança difeririam apenas porque a primeira é
atual enquanto
a segunda é passada.
A imagem seria, portanto, a reprodução
presente que
faço de coisas ou situações presentes para os empiristas.
Os filósofos intelectualistas também
consideravam a imaginação uma forma enfraquecida da
percepção e, por considerarem a percepção a principal causa de
nossos erros
(as ilusões e deformações da realidade), também julgavam a
imaginação fonte
de enganos e erros.
Descartes Imaginação origem do erro.
A precipitação, que é a facilidade e
a velocidade com que nossa vontade nos faz emitir juízos sobre as coisas antes de
verificarmos se nossas ideias
são
ou não
são verdadeiras.
São opiniões que emitimos em consequência de
nossa vontade
ser mais
forte e poderosa do que nosso intelecto.
Originam-se
no conhecimento
sensível, na
imaginação, na linguagem e na memória. Chauí, Convite à filosofia
Na Enciclopédia (discurso preliminar de
D’Alembert) “Memória, Razão e Imaginação” são as três faculdades do
conhecimento humano. Razão e imaginação são filhas da memória.
A organização de sua arvore enciclopédica
obedece ao processo natural das operações do espírito.A imaginação depende da razão porque
antes de criar o artista concebe/pensa.Na criação de objetos, a imaginação
depende da memória, porque somente imagina objetos semelhantes aos que conhece
(ideias e sensações). Na Enciclopédia, as Belas Artes são produtos da imaginação. Na imitação da natureza, a invenção está sujeita a regras, que formam principalmente a parte filosófica das Belas Artes.Mas, a invenção mesmo é obra do gênio, que prefere criar a discutir. Incompatibilidade entre conteúdo e prática.A imaginação no século XVIII não é mais o lugar do erro (semelhança), nem sequer a louca da casa desde que siga regras de utilidade e bom-senso.
Mas “a veemência é loucura”.
A imaginação são colocados limites desde
de regras ao desvio destas: “Quanto mais longe da semelhança mais próximo de
excelência”.![]() |
Imagem: Dom Quixote e Sancho Pança de Picasso
|
A imaginação seria,
pois, diretamente reprodutora da percepção, no campo do
conhecimento,
e indiretamente reprodutora da percepção, no campo da fantasia. Por isso, na tradição filosófica,
costumava-se usar a palavra imaginação como sinônimo de
percepção ou como um aspecto da percepção. Percebemos imagens
das coisas,
dizia a tradição. Chauí, Convite à filosofia
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