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Thursday, May 05, 2011

Abordagem da dobra em Gilles Deleuze 2011_1

De acordo com Michel Serres a dobra (dobrar – plier –francês- pli) implica (envolve) o volume e começa a construir o lugar. Ainda diz que a dobra que implica e multiplica (dobra sobre si e se desdobra) também permite passar do lugar ao espaço, associando a Michel de Certeau, permite passar do espaço, isto é, da prática do lugar (que implica em posições no espaço, em movimento, fluxo) ao lugar propriamente, que é ordem, convenção, indicando estabilidade, determinando um “próprio”.
“O espaço é um lugar praticado”.
“Assim a rua definida geometricamente pelo planejamento urbano é transformada em um espaço pelos caminhantes” (CERTEAU, 1984, p.117).

Corroborando com esta idéia (aproximadamente), segundo Manuel Castells os espaços são criados por práticas sociais. Assim não são universais, eles são sempre historicamente específicos. Os espaços tornam-se socialmente importantes quando são constituídos por práticas sociais inumeráveis. Neste ponto definem uma espacialidade material de vida. Todas as espacialidades são produtos de agentes sociais que operam como os fabricantes dos espaços. Há fabricantes dos espaços de lugares que criam mundos de identidades ' locais ', e há fabricantes dos espaços dos fluxos que criam mundos das conexões. Com estas práticas sociais e suas espacialidades, são os dados formais da coexistência entre os espaços dos lugares e os espaços dos fluxos.
Uma primeira exploração da dobra em Gilles Deleuze
Deleuze serviu-se da metáfora do labirinto para explicar o conceito de espaço em Leibniz, em seu livro A Dobra. Diz Deleuze, “Leibniz explica em um texto extraordinário: um corpo flexível ou elástico ainda tem partes coerentes que formam uma dobra, de modo que não se separam em partes de partes, mas sim se dividem até o infinito em dobras cada vez menores, que conservam sempre uma coesão.
Assim, o labirinto do contínuo não é uma linha que dissociaria em pontos independentes, como a areia fluida em grãos, mas sim é como um tecido ou uma folha de papel que se divide em dobras até o infinito ou se decompõe em movimentos curvos, cada um dos quais está determinado pelo entorno consistente ou conspirante. Sempre existe uma dobra na dobra, como também uma caverna na caverna.
A unidade da matéria, o menor elemento do labirinto é a dobra, não o ponto, que nunca é uma parte, e sim uma simples extremidade da linha”. 
O espaço ‘leibniziano’ é constituído como um labirinto com um número infinito de dobras, algo similar à cidade composta de quadras, casas, quartos, móveis, dobras dentro de dobras, dobras que conformam espaços, como um origami, a arte da dobradura do papel.
A dobra é a continuidade do avesso e do direito, do verso e reverso da folha, a arte de instaurar esta continuidade entre as superfícies. Deleuze A lógica dos sentidos.
O que está dentro está fora, e o que está fora, logo pode estar dentro.
“Não há lugares fora”Michael Hardt. 
“A superfície, a cortina, o tapete, o casaco, eis onde o cínico e o estóico se instalam e aquilo de que se cercam. O duplo sentido da superfície, a continuidade do avesso e do direito, substituem a altura e a profundidade. Nada atrás da cortina, salvo misturas inomináveis.
“Nada acima do tapete, salvo o céu vazio. O sentido aparece e atua na superfície, pelo menos se soubermos convenientemente, de maneira a formar letras de poeira ou como um vapor sobre o vidro em que o dedo pode escrever”.

DELEUZE, G. A dobra. Papirus 
CASTELLS, M. A Sociedade em redes: Ed. Paz e Terra

Espaço e Lugar / interior e exterior

Toma-se a premissa que exterior e interior são dois fundamentos da construção do espaço arquitetônico, que formam “sistemas de lugares”. 
A relação entre exterior e interior é constitutiva do espaço concreto que possui variados graus de extensão e cercamento. Este freqüentemente se manifesta como “figura” em fundo vasto ou limitado Do fechamento ou do enquadramento de um espaço podem emergir elementos que exerçam a função de foco ou centro para o entorno.
O espaço em extensão ou cercado possui direções "cósmicas" ou coordenadas físicas (céu, terra, acima, abaixo, leste-oeste, norte-sul, atrás-adiante) e pode manifestar ritmos segundo a composição ou a disposição de elementos ou os movimentos da topografia. 
“Portanto, centralização, direção e ritmo são importantes propriedades do espaço concreto”. Os próprios elementos naturais podem agrupar-se modo a formar senso de escala, de proximidade ou de distância (NORBERG-SHULZ In Nova Agenda). 
Christian Norberg-Shultz (op. cit.) chama atenção que todas estas propriedades espaciais mencionadas são de natureza topológica. Ou seja, não dizem respeito somente a um enquadramento geométrico ou físico.
O “princípio de vizinhança” está na base da noção de distância, sendo mais profícuo e geral do que os enquadramentos sucessivos e concêntricos aristotélicos, diz Bachelard.
A topologia estuda a posição e as propriedades provenientes dela, que devem satisfazer as noções de vizinhança e de proximidade.
A topologia enfatiza não as propriedades extensivas e estáveis, mas as intensivas e intermitentes. Na teoria topológica, o espaço-tempo é visto como dobrado e multidimensional.
O espaço cercado ou confinado se define por limites (borda) ou fronteiras (onde algo começa a se fazer presente). O chão (piso), a parede (muros, vedações) e o teto (coberturas) são fronteiras de uma edificação ou lugar (NORBERG-SHULZ, op. cit.).
As gradações do confinamento de um espaço são determinadas pelas aberturas ou permeabilidade das vedações.
Para romper com o caráter monolítico ou maciço, as permeabilidades (para luz, ventilação, visualidades) podem ser proporcionadas por membranas “elementos etéreos, que sugerem divisões espaciais, sem limites físicos rígidos” (Bruno Massara Rocha).
As aberturas são a janela, a porta e a soleira. A soleira segundo Hertzberger é a chave para o intervalo, a transição e a conexão entre as áreas.
Na soleira de uma casa se lida com o encontro a reconciliação entre a rua (domínio público) e o domínio privado.
As soleiras e os umbrais, são espaços de transição por excelência. Locais da despedida e das boas vindas. À tradução arquitetônica para hospitalidade (um dever para algumas culturas).
A soleira é tão fundamental para o contato social quanto os maciços são para a privacidade.
O intervalo elimina as divisões territoriais rígidas.

Referências
NORBERG-SCHULZ, Christian. O fenômeno do lugar. In: NESBITT, Kate (org.). Uma nova agenda para a. arquitetura: antologia teórica 1965-1995. São Paulo: Cosac Naify, 2006
HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes,

 

SANAA: rolex learning center

SANAA: rolex learning center

takeshi hosaka architects: love house, kanagawa, japan

takeshi hosaka architects: love house, kanagawa, japan

'love house' by takeshi hosaka was designed for a couple. on a very small site of 33 square meters, the designer planned a building of frontage 2.7m / about 9m deep. he divided the top ceiling with a huge curve and created the roof and the space, with a big hole in the centre where you can see the sky. it is located in kanagawa, japan.

Inside House & Outside House / Takeshi Hosaka Architects | ArchDaily

Inside House & Outside House / Takeshi Hosaka Architects | ArchDaily
"Takeshi Hosaka thought that many life acts would be richly generated even in a small site in Tokyo by building “inside house” together with “outside house” where you can treat those things such as nature, rain water, soil, sand, animals, insects and birds that were eliminated by the modern architectures and cities, and acts which are originally supposed to be outside the house."

exterior-interior por Kandinsky

Kandinsky em Ponto, Linha e plano

•Todos os fenômenos podem ser vividos de duas formas.
•Estas duas formas não estão arbitrariamente ligadas aos fenômenos – decorrem da natureza dos fenômenos, de duas das duas propriedades: exterior-interior.
•Se observarmos a rua através da janela, os seus ruídos são atenuados, os seus movimentos são fantasmáticos e a própria rua, por causa do vidro transparente mas duro e rígido, parece um ser isolado palpitando num ‘para lá de’.
•Mas eis que abrimos a porta: saímos do isolamento, participamos desse ser, aí nos tornamos agentes e vivemos a sua pulsação através de todos os nossos sentidos (...).
Kandinsky relata sobre a fruição e participação nos sons e movimentos deste espaço exterior em seguida no texto.